Incêndio avança na Terra Indígena Apyterewa e ameaça floresta e aldeia no sul do Pará
Fogo começou em área de antiga ocupação ilegal em São Félix do Xingu; Funai aponta indícios de ação criminosa e monitora avanço das chamas

Um incêndio de grandes proporções atinge há cerca de uma semana a Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no sul do Pará. As chamas começaram em uma área de pastagem que havia sido ocupada ilegalmente e foi desocupada durante uma operação de desintrusão. O fogo avançou para áreas de vegetação e passou a preocupar brigadistas e moradores de uma aldeia do povo Parakanã.
Segundo a Funai, parte dos focos registrados na terra indígena apresenta indícios de ação criminosa. O órgão, porém, informou que outras possíveis causas também são consideradas e que a situação está sendo acompanhada pelo Governo Federal. O caso foi apresentado em uma reunião do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), e o Ibama foi acionado para reforçar o monitoramento e a fiscalização.
Com a estiagem e os ventos fortes registrados na região, a principal preocupação é que o fogo mude de direção e alcance áreas de floresta mais preservada. Lideranças indígenas também temem a aproximação das chamas da aldeia Parakanã.
Dados analisados pelo Instituto Socioambiental (ISA) apontam 377 focos de calor na Terra Indígena entre 31 de maio e 23 de agosto. Somente em agosto foram registrados 340 focos, o equivalente a mais de 90% do total no período.
Além disso, cerca de 27% dos focos identificados apresentaram intensidade alta ou extrema, segundo o levantamento citado. As imagens de satélite também apontaram a ocorrência de um “superincêndio” em 20 de agosto, quando três grandes focos simultâneos concentraram mais de 15% da energia radiativa registrada na área nos últimos três meses.
A região vem passando por ações de desintrusão para retirada de ocupantes não indígenas. A proteção da Terra Indígena Apyterewa também envolve órgãos federais e forças de segurança, incluindo a Funai, Ibama, Polícia Federal e Força Nacional.
Até o momento, não há confirmação sobre a autoria dos incêndios. A investigação das causas e a identificação de eventuais responsáveis devem ficar a cargo dos órgãos competentes, enquanto as equipes mantêm o monitoramento da área e o combate aos focos.



