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Pesquisador da UFPA participa de estudo que revela antiga civilização amazônica no Acre

Pesquisa publicada na revista Nature aponta que a civilização Aquiry ocupou o sudoeste da Amazônia há cerca de 1.500 anos e pode ter reunido milhões de habitantes.

O professor Rhuan Carlos Lopes, docente da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA), é um dos autores de um estudo arqueológico publicado no dia 29 de julho na revista científica Nature. A pesquisa apresenta novas evidências sobre a existência da antiga civilização indígena Aquiry, que ocupou parte do sudoeste da Amazônia há aproximadamente 1.500 anos.

O trabalho foi desenvolvido em parceria entre pesquisadores da Universidade de Helsinque, da Universidade Federal do Acre (UFAC) e da UFPA. Também assinam o estudo os pesquisadores Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque, e Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre.

Segundo a pesquisa, a civilização Aquiry prosperou entre 600 a.C. e 850 d.C., ocupando uma área estimada em 183 mil quilômetros quadrados. Os cientistas afirmam que a população desse território poderia variar entre 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes, número que desafia estimativas anteriores sobre a ocupação humana na Amazônia durante o primeiro milênio.

Os pesquisadores identificaram mais de 400 sítios arqueológicos preservados, incluindo grandes estruturas cerimoniais conhecidas atualmente como geoglifos, além de assentamentos construídos posteriormente. O estudo também aponta que parte da vegetação amazônica atual ainda preserva marcas deixadas pelo manejo realizado por essa antiga população.

A descoberta foi possível graças ao uso da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), um sistema de escaneamento a laser realizado por aeronaves que permite mapear o relevo mesmo sob a cobertura da floresta. A pesquisa analisou cerca de 4.500 quilômetros quadrados e revelou milhares de vestígios arqueológicos antes desconhecidos.

Os levantamentos aéreos foram realizados em 2024, com autorização do Ministério da Defesa. Durante a operação, foram executados voos em longos transectos de aproximadamente 450 quilômetros, permitindo mapear extensas áreas da Amazônia Ocidental. Entre as estruturas identificadas estão formas geométricas monumentais e antigas estradas retas construídas pela civilização.

De acordo com Martti Pärssinen, professor emérito da Universidade de Helsinque e um dos coordenadores da pesquisa, os resultados modificam a compreensão sobre a ocupação humana na Amazônia antes da chegada dos europeus.

Para o professor Rhuan Carlos Lopes, os dados representam um marco para a arqueologia e para os estudos sobre a história indígena no Brasil, ampliando o conhecimento sobre o manejo da paisagem amazônica e o desenvolvimento de sociedades complexas na região.

Além de atuar na UFPA, Rhuan Carlos Lopes também integra o Programa Associado de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Atualmente, ele desenvolve, em parceria com Martti Pärssinen, o projeto “Geoglifos: História indígena e paisagem na Amazônia Ocidental”, financiado pelo Instituto Ibero-Americano da Finlândia.

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