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Cacau ajuda a recuperar 165 mil hectares de áreas degradadas no Pará

Cultivo em sistemas agroflorestais já recuperou área equivalente a mais de 230 mil campos de futebol e avança sobre antigas pastagens degradadas.

A expansão da cacauicultura no Pará tem contribuído para a recuperação de áreas degradadas e fortalecido a produção sustentável no estado. Levantamento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), compartilhado com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), aponta que cerca de 165 mil hectares já foram recuperados por meio do cultivo de cacau em Sistemas Agroflorestais (SAFs) desde meados da década de 1990.

A área recuperada equivale a aproximadamente 231 mil campos de futebol e está concentrada, principalmente, em municípios como Tomé-Açu, referência na adoção de sistemas agroflorestais, além de cidades localizadas ao longo da Rodovia Transamazônica, como Altamira, Medicilândia e Brasil Novo.

Pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Pará (UFPA), no campus de Altamira, mostra que a maior parte das novas lavouras de cacau implantadas na região ocupa áreas anteriormente degradadas ou alteradas pela atividade humana, como antigas pastagens, reduzindo a pressão sobre a floresta nativa.

Segundo o estudo, 81% das plantações estabelecidas a partir de 2021 foram implantadas em áreas já abertas, representando uma mudança em relação ao modelo tradicional, no qual a cultura avançava sobre áreas de floresta.

Para os pesquisadores, esse modelo reúne benefícios ambientais e econômicos ao transformar áreas improdutivas em espaços capazes de gerar renda para os agricultores, ao mesmo tempo em que recupera a cobertura vegetal por meio do sistema agroflorestal.

O incentivo ao cultivo sustentável também faz parte das políticas públicas desenvolvidas pelo Governo do Pará. A legislação estadual que criou o Fundo de Apoio à Cacauicultura (Funcacau) estabelece que novos plantios sejam realizados prioritariamente em Sistemas Agroflorestais e em áreas já alteradas.

De acordo com a Sedap, o Estado distribui, em média, 13,5 milhões de sementes híbridas de cacau por ano aos produtores rurais. Atualmente, cerca de 9 mil hectares de novas áreas de cultivo são incorporados anualmente à cadeia produtiva, além da entrada de aproximadamente mil novos produtores a cada ano.

Outras ações também estimulam a recuperação ambiental, como a distribuição de mudas de espécies florestais para compor o sombreamento dos cacaueiros e programas voltados à implantação de sistemas agroflorestais em propriedades rurais localizadas em áreas degradadas.

Experiências de produtores e resultados de pesquisas recentes foram apresentados durante o Fórum da Cacauicultura, realizado dentro da programação do Festival Internacional do Chocolate e Cacau de Altamira. O evento reuniu especialistas e agricultores para discutir novas técnicas de cultivo, sustentabilidade e aumento da produtividade da cadeia cacaueira no estado.

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