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Icônica linha Pedreira-Lomas pode ser extinta

Recuperação judicial e risco de falência da tradicional viação ameaçam linhas históricas de Belém e da Região Metropolitana

A possibilidade de encerramento das atividades da empresa Monte Cristo acendeu um alerta entre usuários do transporte público de Belém e da Região Metropolitana. Uma das mais tradicionais operadoras da capital paraense, a empresa enfrenta grave crise financeira e pode deixar de operar linhas históricas, incluindo a emblemática Pedreira-Lomas, considerada uma das mais conhecidas da cidade.

Fundada em 1969, a Monte Cristo construiu sua trajetória atuando principalmente nos bairros da Pedreira, Sacramenta e Val-de-Cans, consolidando-se como uma das empresas mais tradicionais do sistema de transporte coletivo de Belém.

Entre as linhas mais emblemáticas operadas pela viação estão a 443 – Pedreira-Lomas/Linha A e a 944 – Pedreira-Lomas/Linha B, conhecidas popularmente apenas como “Pedreira-Lomas”. Ao longo de décadas, as linhas se tornaram parte da rotina de milhares de passageiros e ajudaram a marcar a identidade do transporte urbano da capital.

Além delas, a empresa também operava itinerários importantes como a 227 – Sacramenta/Humaitá, além das linhas internas do conjunto CDP, em Val-de-Cans, como a CDP-Providência e Sacramenta-São Brás.

Durante os anos 2010, a Monte Cristo ampliou sua atuação e chegou a assumir a linha 439 – Pedreira/Nazaré, substituindo a tradicional Empresa Rápido Dom Manoel. Mais recentemente, em 2022, a viação assumiu a administração da empresa Transportes Canadá, passando a operar linhas estratégicas como a 417 – UFPA Alcindo Cacela/José Malcher e a 422 – Domingos Marreiros.

A expansão também alcançou Marituba, na Região Metropolitana de Belém. A empresa passou a atender bairros como Cerâmica, Dom Aristides e Viver Melhor, por meio das linhas 935 – Marituba Cerâmica/Pátio Belém, 936 – Marituba Dom Aristides/Pátio Belém, 937 – Marituba Ver-o-Peso/Cerâmica e 938 – Marituba Pátio Belém/Direcional.

Apesar da expansão operacional, a Monte Cristo acumulou dificuldades financeiras nos últimos anos. Problemas relacionados ao pagamento de salários e ticket alimentação se tornaram frequentes, provocando paralisações e greves constantes de funcionários.

Ao mesmo tempo, passageiros passaram a enfrentar redução na quantidade de ônibus em circulação, atrasos e interrupções recorrentes dos serviços. Parte da frota também chegou a ser apreendida por instituições financeiras devido ao não pagamento de financiamentos.

Com a recuperação judicial e a possibilidade de falência, cresce agora a expectativa sobre o destino das linhas atualmente operadas pela empresa. Até o momento, não houve confirmação oficial sobre quais empresas poderão assumir os itinerários deixados pela Monte Cristo nem quando uma eventual redistribuição ocorrerá.

A situação gera preocupação especialmente entre moradores da Pedreira, Sacramenta, Val-de-Cans e Marituba, que dependem diariamente das linhas da empresa para deslocamento até áreas centrais de Belém.

O possível desaparecimento da Pedreira-Lomas também representa o fim de uma das linhas mais simbólicas do transporte coletivo da capital paraense, presente há décadas no cotidiano e na memória afetiva de diferentes gerações de passageiros.

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