Paysandu propõe corte de até 85% das dívidas e prazo de 10 anos em plano de recuperação judicial
O plano apresentado marca um momento decisivo para o futuro do clube. Mais do que renegociar dívidas, a proposta representa uma tentativa de redefinir o modelo de gestão e evitar que problemas financeiros continuem comprometendo o desempenho esportivo e institucional do Paysandu nos próximos anos.
O Paysandu Sport Club deu um passo decisivo na tentativa de reorganizar sua situação financeira ao protocolar na Justiça um plano de recuperação judicial com medidas consideradas agressivas. O documento prevê redução significativa das dívidas, prazos longos para pagamento e um período inicial de carência, com o objetivo de reequilibrar o caixa e garantir a continuidade das operações do clube.
A proposta surge em um momento crítico da instituição, que enfrenta dificuldades acumuladas ao longo dos anos, agravadas por resultados esportivos instáveis e pela recente queda para a Série C do Campeonato Brasileiro.
Corte expressivo das dívidas
O ponto central do plano é a possibilidade de descontos que chegam a até 85% do valor total devido, principalmente para credores sem garantia ou com garantia real, como fornecedores e instituições financeiras. Nesses casos, o pagamento só começaria após um período de carência de até três anos, sendo parcelado ao longo de uma década.
Já para dívidas trabalhistas — que incluem ex-jogadores, funcionários e comissões técnicas — o clube propõe uma redução menor, de cerca de 50%, com quitação em até um ano. Essa diferenciação segue a lógica comum em processos de recuperação judicial, priorizando obrigações de natureza trabalhista.
Outro mecanismo previsto é a chamada novação das dívidas, que substitui os débitos antigos por novas condições estabelecidas no plano, caso ele seja aprovado. Na prática, todas as pendências passam a seguir um novo cronograma e regras de pagamento.
Dívida de R$ 75 milhões e impacto da Série C
O passivo total do Paysandu gira em torno de R$ 75 milhões. Desse montante, mais de R$ 15 milhões correspondem a dívidas trabalhistas, enquanto o restante envolve débitos fiscais, cíveis e obrigações com fornecedores e investidores.
No documento, o clube reconhece que, por anos, operou com despesas superiores às receitas, muitas vezes apostando em ganhos futuros — como acessos de divisão — que não se concretizaram de forma consistente.
A queda para a Série C agravou ainda mais o cenário, reduzindo receitas com direitos de transmissão, patrocínios e premiações, ao mesmo tempo em que as dívidas continuaram crescendo.
Estratégia: ganhar tempo e fôlego financeiro
O plano deixa claro que a estratégia do Paysandu é ganhar tempo para reorganizar suas finanças. A carência de até três anos antes do início dos pagamentos é vista como essencial para permitir ajustes internos, corte de custos e reestruturação administrativa.
Entre os argumentos apresentados pelo clube para justificar a viabilidade da recuperação estão:
- A força da torcida, considerada um ativo fundamental
- A manutenção de receitas operacionais
- A adoção de medidas de profissionalização da gestão
- A necessidade de equilibrar despesas e receitas de forma sustentável
Aprovação dos credores é decisiva
Apesar das condições propostas, o sucesso do plano depende diretamente da aprovação dos credores. Eles terão prazo para analisar o documento e podem apresentar objeções. Caso haja divergências, uma assembleia poderá ser convocada para deliberar sobre a proposta.
Se aprovado, o plano passa a ter força legal e todas as dívidas incluídas no processo seguirão as novas regras estabelecidas.
Acompanhamento e exigências judiciais
O processo de recuperação judicial foi iniciado em fevereiro e prevê um período de 180 dias de suspensão das execuções de dívidas. Durante esse tempo, o clube deve estruturar e implementar o plano.
Além disso, a Justiça determinou que o Paysandu apresente relatórios financeiros mensais, garantindo transparência no acompanhamento da reestruturação.



