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Pajé paraense Zeneida Lima será homenageada pela Beija-Flor no Carnaval do Rio 2027

Última pajé marajoara terá trajetória contada na Marquês de Sapucaí quase 30 anos após inspirar título da escola

A pajé paraense Zeneida Lima, de 91 anos, será homenageada pela escola de samba Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval do Rio de Janeiro em 2027. Nascida em Soure, no arquipélago do Marajó, ela é considerada a última pajé marajoara e terá sua história contada na Marquês de Sapucaí.

A trajetória de Zeneida ganhou projeção nacional após o lançamento do livro “O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó” (1992), que inspirou o enredo campeão da Beija-Flor em 1998, “O mundo místico dos caruanas nas águas do Patu-Anu”. Desde então, a relação entre a pajé e a escola se fortaleceu.

Agora, quase três décadas depois, a agremiação volta ao tema com o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, que promete destacar a força espiritual e cultural do Marajó na avenida.

Zeneida relembra sua participação no desfile vitorioso de 1998 e afirma que ajudou a orientar a escola espiritualmente. “Eu fui olhar nas energias das águas e vi que o problema era o carnavalesco. Tinha que trocar, além de fazer uma pajelança pra comunidade. Nós ganhamos o carnaval”, contou.

Além de líder espiritual, Zeneida Lima é compositora, escritora, poeta e ativista social. Ela fundou a Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), que atende cerca de 200 crianças e adolescentes com atividades de educação, música, dança e preservação ambiental.

Sua atuação também foi reconhecida academicamente: em 2021, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), pelas contribuições à cultura e aos saberes amazônicos.

A pajé também teve sua história retratada no cinema, no filme “Encantados”, de Tizuka Yamasaki, reforçando sua relevância cultural para além da região Norte.

Segundo Zeneida, seu maior legado está na formação das novas gerações. “Eu pude dar pra essas crianças aquilo que não tive. Isso me curou. Meu sonho é que as pessoas cuidem mais da natureza, porque ela está doente”, afirmou.

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