O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone neste domingo (8) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar de temas da agenda bilateral entre os dois países.
Entre os assuntos discutidos esteve a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. A proposta está em análise em Washington e pode atingir grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Durante a conversa, Mauro Vieira buscou convencer o governo norte-americano a não incluir as organizações nessa categoria. Caso a classificação avance, integrantes dessas facções poderiam ser alvo de sanções internacionais, restrições financeiras e medidas mais duras de cooperação no combate ao crime organizado.
Possíveis impactos
Diplomatas brasileiros avaliam que a medida poderia abrir precedentes para ações externas sob o argumento de combate ao terrorismo, além de ampliar o alcance de punições internacionais contra pessoas e empresas ligadas às organizações.
No Palácio do Planalto, também existe preocupação com possíveis impactos econômicos indiretos. Entre os pontos levantados estão eventuais efeitos na percepção de risco do país por investidores estrangeiros e possíveis reflexos em setores como turismo e negócios internacionais.
Agenda bilateral
Durante a conversa, os chanceleres também trataram da possibilidade de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington.
Inicialmente, a expectativa era de que a viagem ocorresse ainda em março, mas o encontro pode ser adiado para abril devido ao cenário internacional, especialmente em razão das tensões envolvendo o Irã.
A eventual classificação das facções brasileiras como organizações terroristas segue em avaliação pelo governo norte-americano e ainda não há decisão oficial sobre o tema.



