O Paysandu protocolou pedido de recuperação judicial com a justificativa de reorganizar uma dívida estimada em cerca de R$ 16 milhões, conforme informado no processo. O valor foi apresentado como passivo a ser reestruturado perante a Justiça.
No entanto, o ex-diretor de futebol Frederico Carvalho afirma que o montante real é superior e pode alcançar aproximadamente R$ 75 milhões, considerando débitos trabalhistas, fiscais e compromissos acumulados ao longo dos últimos anos.
Segundo ele, a situação financeira é resultado de gestões que recorreram à antecipação de receitas futuras para cobrir despesas correntes. A prática, comum no futebol, teria sido adotada de forma contínua a partir de 2023, ampliando o desequilíbrio nas contas.
Antecipação de receitas e impacto do rebaixamento
De acordo com relatos de pessoas ligadas ao clube, parte das receitas previstas foi utilizada antes da confirmação de permanência em divisões superiores do Campeonato Brasileiro. Com o rebaixamento para a Série C, a arrecadação projetada não se confirmou, o que teria agravado o cenário financeiro.
Especialistas em direito empresarial apontam que a antecipação recorrente de receitas pode indicar falta de fluxo de caixa e dificuldades de planejamento orçamentário.
Questionamentos sobre gestão e transparência
O ex-dirigente também menciona que, nos últimos 13 anos, diferentes presidentes estiveram à frente do clube, mas integrariam o mesmo grupo político interno. Ele cita os nomes de Maurício Ettinger e Roger Aguilera como figuras que ocuparam cargos de liderança nesse período.
Há ainda críticas relacionadas à prestação de contas e à troca de auditorias ao longo dos anos. Segundo o ex-diretor, inconsistências teriam sido apontadas em balanços anteriores.
Em 2024 e 2025, o clube registrou receitas superiores a R$ 75 milhões e R$ 85 milhões, respectivamente, de acordo com dados internos mencionados por integrantes da gestão anterior. Apesar disso, o endividamento teria permanecido elevado.
Patrocínio, dívida e declaração do presidente
Atualmente, o Paysandu disputa a Série C e conta com patrocínio master estimado em cerca de R$ 6 milhões. O presidente Roger Aguilera declarou publicamente que o clube possui débito aproximado de R$ 12 milhões com ele e afirmou que pretende abrir mão do valor.
Para críticos, a declaração reforça a necessidade de esclarecimentos sobre a estrutura financeira e os compromissos assumidos pelo clube.
Recuperação judicial e possibilidade de SAF
Pela legislação, o Paysandu terá até 60 dias para apresentar um plano detalhado de pagamento aos credores. Especialistas destacam que a recuperação judicial depende de fontes de receita capazes de sustentar o cumprimento das obrigações.
Nos bastidores, é discutida a possibilidade de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), modelo que permite a entrada de investidores privados. Até o momento, não há confirmação oficial sobre proposta formal de aquisição.
O processo de recuperação judicial coloca em evidência a situação financeira do clube e abre prazo para definição das próximas medidas administrativas.
Com informações de Oliberal.com
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