Técnicos administrativos de universidades federais no Pará iniciaram greve nesta segunda-feira (23), impactando o funcionamento de serviços em instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
Na UFPA, a paralisação já resultou na suspensão do atendimento no restaurante universitário (RU) do setor profissional. A unidade do setor básico, no entanto, permanece em funcionamento.
O movimento é coordenado pelo Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes). Segundo o coordenador-geral da entidade, Felipe Melo, a greve tem caráter nacional e, na base do sindicato no Pará, envolve quatro universidades: UFPA, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Unifesspa e Ufopa.
Até o momento, aderiram à paralisação a UFPA, a Unifesspa e a Ufopa. A Ufra votou contra a greve neste primeiro momento, mas seguirá debatendo o tema internamente.
Serviços essenciais devem ser mantidos
De acordo com Felipe Melo, a UFPA possui cerca de 2.500 técnicos administrativos distribuídos pelos campi no Estado. Ele destacou que a categoria é responsável por atividades fundamentais ao funcionamento da universidade.
“Sem os técnicos, a universidade não funciona. Pode até ter aula, mas não tem quem abra a sala, quem faça o restaurante funcionar, quem garanta contratos, licitações e o funcionamento dos laboratórios”, afirmou.
O coordenador explicou que os serviços considerados essenciais deverão ser mantidos, mas que essa definição ainda será construída em assembleia ao longo dos próximos dias. Entre as prioridades estão:
- Atendimento do restaurante universitário a estudantes em situação de vulnerabilidade social;
- Pagamento de bolsas;
- Manutenção de energia elétrica, abastecimento de água e segurança;
- Funcionamento dos hospitais universitários.
Segundo ele, a organização da paralisação será gradual, com avaliação caso a caso.
Reivindicações da categoria
A greve foi deflagrada, segundo o sindicato, por descumprimento de pontos acordados com o governo federal após a paralisação de 2024. Entre as reivindicações estão:
- Reconhecimento de saberes e competências, com gratificação salarial;
- Implementação da jornada de 30 horas semanais;
- Debate sobre o fim da escala 6×1;
- Reposicionamento salarial de servidores aposentados.
“O acordo foi assinado em 2024 e não foi cumprido. A greve é para que ele seja efetivado”, afirmou Felipe Melo.
O comando local de greve foi instalado nesta segunda-feira. Segundo o diretor do Sindtifes, Will Mota, a decisão foi aprovada em assembleia com cerca de 200 servidores. A categoria prevê intensificar mobilizações ao longo da semana, com ações nos campi, hospitais universitários e na Reitoria.
Estudantes relatam dificuldades
A suspensão do RU do setor profissional surpreendeu alunos que chegaram ao local para almoçar e encontraram a unidade fechada.
O estudante de Engenharia Elétrica Heno Vilhena, de 25 anos, disse que precisou se deslocar até o restaurante do setor básico. “É lá do outro lado, é uma ‘pernadinha’, mas a gente vai para lá almoçar”, relatou.
Ele reconheceu o direito de greve da categoria, mas apontou dificuldades na rotina acadêmica, principalmente em dias com aulas consecutivas. “Tem dia que são só 10 minutos entre uma aula e outra. Esse tempo de percurso já ocupa tudo”, explicou.
A expectativa do sindicato é que, nos próximos dias, haja maior definição sobre o percentual de adesão e os impactos nos demais setores das universidades federais no Estado.



