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Cerpa aposta na Coca-Cola para dobrar faturamento e alcançar R$ 600 milhões

Com meta de expansão nacional até 2030, empresa paraense quer ampliar presença em até 30 mil pontos de venda fora do Norte e reforçar posicionamento premium

A tradicional cervejaria paraense Cerpa iniciou uma nova fase estratégica com o objetivo de ampliar sua presença nacional e dobrar o faturamento até 2030. A meta é sair dos atuais R$ 300 milhões para R$ 600 milhões em receita, com potencial de alcançar R$ 1 bilhão em vendas no varejo. Para isso, a empresa firmou parceria com o sistema Coca-Cola, que passará a integrar a logística de distribuição da marca fora da Região Norte.

Fundada em 1966 às margens da Baía do Guajará, em Belém, pelo imigrante alemão Konrad Karl Seibel, a Cerpa consolidou-se como símbolo regional, chegando a atingir 65% de participação no mercado paraense. Ao longo das décadas, manteve forte presença no Norte e conquistou consumidores no Sudeste antes mesmo do boom das cervejas artesanais.

Nos últimos anos, no entanto, a companhia enfrentou dificuldades relacionadas à sucessão familiar e questões tributárias. A reestruturação ganhou força em 2024, com a chegada do CEO Jorge Kowalski, ex-executivo da Coca-Cola e da Heineken, contratado para reorganizar a operação e liderar a expansão.

Segundo o executivo, a empresa vive um “ponto de inflexão”. A estratégia combina dois movimentos principais: mudança no mix de produtos — priorizando margens maiores em vez de volume barato — e uso da capilaridade do sistema Coca-Cola para acelerar a distribuição nacional.

Expansão por regiões

No Nordeste, a Cerpa pretende ampliar presença com reforço de operação própria e parceiros regionais. A meta é saltar de 825 para cerca de 3.500 pontos de venda até 2026, com entrada em estados como Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Bahia. Onde já atua — Ceará, Pernambuco e Alagoas — a empresa busca consolidar a marca.

Já no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a expansão ocorrerá por meio da rede de engarrafadores do sistema Coca-Cola, como Femsa, Andina, Brasal e Sorocaba Refrescos, com previsão de entrada da Uberlândia Refrescos em 2026. A estimativa é alcançar até 30 mil novos pontos de venda nessas regiões.

O plano prevê aumento de 555% no volume comercializado nessas praças até 2026, passando de 13.948 hectolitros para 77.388 hectolitros. A cobertura total de pontos de venda deve saltar de 18.648 para aproximadamente 30 mil.

Novo posicionamento

A estratégia também envolve reorganização do portfólio conforme o mercado. No Norte, a marca Tijuca mantém foco em embalagens retornáveis. Fora da região, o destaque é a Cerpa Export, posicionada como produto premium. O portfólio inclui ainda rótulos como Crolant, de inspiração alemã, e marcas de entrada como Drafity e Nevada, totalizando mais de 22 SKUs.

O objetivo não é crescer a qualquer custo. De acordo com a direção, a companhia tem priorizado aumento de margem, reduzindo a venda de produtos de baixo valor agregado em um cenário de desaceleração do consumo per capita de cerveja no país.

Modernização e sustentabilidade

Com capacidade instalada de 1 milhão de hectolitros por ano, a fábrica em Belém passa por nova rodada de modernização. A empresa pretende reduzir a produção para terceiros ao longo do tempo e priorizar marcas próprias.

Entre os investimentos industriais estão iniciativas para redução de custos e impacto ambiental, como a captura e reutilização do CO₂ gerado no processo de fermentação. Durante a COP30, realizada em Belém em 2025, a empresa também lançou uma água em lata com narrativa ligada à Amazônia, sinalizando interesse em novas categorias.

Apesar do cenário desafiador e da forte concorrência no setor, a direção avalia que a combinação de tradição regional, modernização industrial e escala logística pode posicionar a Cerpa como uma marca nacional com identidade amazônica.

Se o plano for bem-sucedido, a cervejaria deixará de ser apenas um símbolo local para disputar espaço em todo o país, consolidando-se como vitrine empresarial do Pará no mercado brasileiro.

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