Vereador e servidor do Detran são presos em operação que investiga fraude milionária contra seguradoras no Pará
Polícia Civil aponta esquema que simulava roubos de veículos para acionar seguros; prejuízo estimado ultrapassa R$ 4 milhões e Justiça bloqueia contas dos suspeitos
Uma operação da Polícia Civil do Pará prendeu, nesta terça-feira (10), o vereador de Castanhal Marcelo Moreira dos Santos (PV), conhecido como Marcelinho Legalizações, e um servidor do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA), suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes contra seguradoras de veículos. O grupo é investigado por provocar um prejuízo superior a R$ 4 milhões.
Batizada de “Contragolpe”, a ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão nos municípios de Belém, Castanhal, Santa Maria do Pará, além de Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO).
Segundo as investigações, o esquema envolvia a contratação de seguros para veículos e, meses depois, o registro de boletins de ocorrência falsos comunicando roubos ou furtos inexistentes, com o objetivo de receber indenizações indevidas das seguradoras.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (DRFRVA), dezenas de ocorrências consideradas suspeitas deram início às apurações.
“As investigações iniciaram a partir de boletins de ocorrência registrados por dezenas de vítimas comunicando furto ou roubo de seus carros, o que não era verdade. Verificamos que cada veículo tinha sido segurado dois ou três meses antes do suposto crime”, explicou o delegado Lincoln Vruck.
Ainda segundo a polícia, o grupo contava com integrantes em outros estados responsáveis por:
- falsificar documentos
- registrar comunicações falsas de crime
- abrir contas bancárias em nome dos proprietários
- acionar seguradoras para receber os valores das indenizações
Participação do servidor do Detran
As apurações também apontaram a atuação de um servidor do Detran lotado na Ciretran de Igarapé-Açu.
Segundo a Polícia Civil, a organização comprava sucatas de veículos com perda total ou carbonizados e pagava propina ao funcionário para viabilizar a transferência irregular desses carros. Depois, os automóveis eram usados no esquema de falsa comunicação de roubo.
“Ele tinha o papel de formalizar criminosamente a transferência de sucatas para que fossem posteriormente comunicadas como furtadas ou roubadas”, afirmou o delegado Augusto Potiguar, da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).
O Detran informou, em nota, que afastou o servidor das funções e que a Corregedoria acompanha o caso.
Envolvimento do vereador
Marcelo Moreira, preso em Castanhal, é natural de Mãe do Rio e foi eleito vereador em 2024 com 1.767 votos. Ele também é proprietário de uma empresa que atua com serviços de regularização de veículos, como transferências, emplacamentos e mudanças de características.
A reportagem tentou contato com a defesa do parlamentar, mas não obteve retorno até a última atualização.
O que foi apreendido
Durante a operação, a polícia recolheu:
- veículos de luxo
- uma moto aquática
- documentos falsificados
- celulares
- joias e objetos de alto valor
- cédulas falsas usadas para ostentação em redes sociais
- arma de fogo
A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 4 milhões em contas ligadas aos investigados.
Presos na operação
Foram detidos:
- Marcelo Moreira dos Santos (“Marcelinho Legalizações”), vereador
- Carlos Alexandre Rodrigues da Cunha (“Nemzão”), servidor do Detran
- Pedro Antônio Cardoso Ferraz
- Lucas Xavier Lim
- Victor Eduardo Lopes Rocha Corrêa
- Odair de Nazaré da Silva Santos
Eles devem responder por estelionato qualificado, associação criminosa e falsidade ideológica.
Posicionamentos
O Partido Verde (PV) de Castanhal informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa e aguarda mais informações antes de se pronunciar oficialmente.
A Câmara Municipal declarou que acompanha os desdobramentos judiciais.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.



