Governo do Pará articula com Ministério da Agricultura medidas para proteger preço do cacau e barrar importações
Produtores do Baixo Xingu e da Transamazônica relatam queda de até 75% no valor do produto; Estado quer rever regras de entrada do cacau africano e reforçar defesa sanitária
O governo do Pará enviou, na manhã desta sexta-feira (3), uma comitiva ao município de Medicilândia, no sudoeste do estado, para dialogar com produtores de cacau das regiões do Baixo Xingu e da Transamazônica, que enfrentam queda no preço pago pelo quilo do produto e aumento da concorrência com importações, principalmente do continente africano.
Durante a mobilização, realizada às margens da Rodovia Transamazônica, agricultores, lideranças políticas e representantes do setor cobraram medidas que garantam a valorização da produção local e maior proteção à cadeia produtiva.
O governador Helder Barbalho informou que já solicitou audiência ao Ministério da Agricultura e Pecuária para tratar do tema. A reunião está prevista para a próxima quarta-feira (11), em Brasília, com a participação de produtores, do secretário de Desenvolvimento Agropecuário do Pará, Giovanni Queiroz, representantes da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e parlamentares.
Segundo o chefe do Executivo estadual, a intenção é discutir alternativas para conter os impactos das importações sobre o mercado interno.
“Tomei a providência de telefonar ao ministro Fávaro para pedir audiência para debater uma solução e avaliar as importações de produtos que têm diminuído o valor da produção brasileira”, afirmou.
O cacau é comercializado como commodity e sofre influência direta das oscilações do mercado internacional. Nos últimos meses, a desvalorização foi intensificada pelo aumento das compras externas. O Pará é atualmente o maior produtor do país, responsável por mais da metade da produção nacional. Em 2024, o estado ultrapassou 153 mil toneladas, gerando mais de 320 mil empregos diretos.
Defesa sanitária e agregação de valor
Além da discussão sobre preços, a defesa sanitária também é apontada como preocupação. O diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo, afirmou que o cacau importado nem sempre está sujeito aos mesmos padrões rigorosos aplicados à produção nacional, o que pode representar riscos fitossanitários.
“A legislação que regulamenta a importação de cacau necessita ser revista ou aprimorada, a fim de estabelecer um controle mais rigoroso para proteger a sanidade do País”, declarou.
O secretário Giovanni Queiroz destacou ainda a necessidade de medidas estruturantes, como a atração de indústrias para o processamento do cacau na própria região, agregando valor ao produto e fortalecendo a economia local.
Atualmente, a Adepará atua na certificação de agroindústrias artesanais de chocolate e na vigilância das lavouras para manter a sanidade da produção cacaueira no estado.
Queda no preço preocupa produtores
No campo, a situação é considerada crítica. O produtor José Santo de Moraes relatou que o quilo do cacau, que chegou a ser comercializado por R$ 80, atualmente não ultrapassa R$ 20.
“Essa queda brusca no preço nos causa muita preocupação. Estamos lutando por um valor justo para o nosso produto e pedindo apoio do Estado para garantir a sobrevivência das nossas famílias”, afirmou.
Em Medicilândia, um dos principais polos produtores do Pará, a produção anual é estimada em cerca de 54 mil toneladas. Para agricultores familiares, o apoio institucional é visto como essencial para manter a atividade economicamente viável.
Com a reunião marcada em Brasília, produtores aguardam a definição de medidas que possam estabilizar o mercado e garantir maior competitividade ao cacau paraense.



