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Fafá de Belém ganha musical que celebra 70 anos de vida e 50 de carreira: “Não fico sentada no baú do passado”

Espetáculo estreia no Teatro Riachuelo, no Rio, e revisita três fases da trajetória da artista paraense

Ícone da música brasileira e voz marcante da história política do país, Fafá de Belém agora tem sua trajetória contada nos palcos. Aos 70 anos de vida e 50 de carreira, a cantora paraense é homenageada no espetáculo “Fafá, o musical”, que estreia nacionalmente no Teatro Riachuelo, no Centro do Rio de Janeiro.

A notícia do projeto chegou de forma inesperada. A artista estava em uma piscina, em Porto, Portugal, quando recebeu a ligação.

— Achei que fosse lorota, papo furado. Já tive dois biógrafos que desistiram de contar minha história, um documentário que não aconteceu… Mas o teatro vingou! — conta, aos risos.

Com aval da própria cantora, o musical revisita momentos marcantes de sua vida, das dificuldades aos grandes sucessos.

— Está tudo ali, contado de forma tocante. Sem excessos, sem presepada… Os “nãos” que recebi, os abusos morais, as alegrias. A vida caminha pra frente, eu não fico sentada no baú do passado — afirma.

Três Fafás no palco

A narrativa costura três fases da artista, interpretadas por diferentes atrizes: Laura Saab e Clarah Passos vivem a infância; Helga Nemeczyk assume o período de ascensão profissional; e Lucinha Lins representa a fase madura da cantora.

Entre os destaques está Laura Saab, de 13 anos, neta de Fafá. Para evitar privilégios, ela optou por usar apenas o sobrenome do pai nas audições.

— Não quis “dar carteirada”. Queria conquistar o papel pelo meu esforço. Ouvi comentários de todo tipo, mas passei no meu primeiro musical profissional — conta a jovem, que emocionou a avó ao cantar “Eu e a Brisa”, de Johnny Alf.

O diretor Gustavo Gasparini explica que o critério principal foi o talento, não a semelhança física.

— São grandes cantoras e atrizes, capazes de criar a personagem com riqueza de detalhes — diz.

Mais de mil artistas de todo o país participaram das audições.

— Ver essa garotada interessada em mergulhar na minha história me emociona profundamente — afirma Fafá.

Novo tempo

Às vésperas dos 70 anos, a cantora diz encarar a vida com mais calma. Após enfrentar um burnout no último ano, passou a repensar o ritmo da carreira.

— Entendi que preciso planejar quando, onde e se eu quero cantar. Não tenho medo de que me esqueçam, sou uma marca registrada deste país — afirma. — Também me dou o direito de descansar.

Conhecida como Musa das Diretas Já e a única mulher a cantar para três papas, Fafá afirma que o momento é de celebrar o passado sem deixar de olhar para o futuro.

Entre imitar e interpretar

No palco, cada atriz constrói sua própria versão da cantora.

Lucinha Lins preferiu não buscar imitação direta.

— Nunca quis parecer uma cover. Minha voz é diferente. Interpreto do meu jeito, com respeito — explica.

Já Helga Nemeczyk mergulhou nos gestos, trejeitos e timbre da homenageada.

— Ouvi músicas, vi entrevistas, estudei tudo. Nosso timbre é próximo. Dizem que sou a incorporação dela — brinca.

Figurinos, perucas e caracterizações ajudam a compor as diferentes fases da artista.

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