Uma nova linha de investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), ganhou destaque após depoimentos de um porteiro que vinha enfrentando conflitos com um grupo de adolescentes da região. Segundo o trabalhador, os jovens, que já geravam problemas no entorno do condomínio onde ele trabalha, teriam “parece, que deram umas pauladas em um cachorro” na mesma noite em que houve uma briga entre eles.
O depoimento foi citado em reportagem que teve acesso a áudios e relatos relacionados à investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, responsável por apurar o caso de maus-tratos que resultou na morte de Orelha no início de janeiro.
Relato do porteiro e antecedentes de hostilidade
O porteiro, que atua em um condomínio próximo à Praia Brava, afirmou que vinha sofrendo hostilidades e xingamentos do grupo de adolescentes durante as madrugadas, incluindo episódios de depredação e insultos como “porteiro de merda” e “assalariado”. Em um áudio divulgado à polícia, o homem afirmou:
“Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles, parece, que deram umas pauladas em um cachorro… É seis folgados. São seis folgados que tem aí.”
Apesar da declaração, ele ressaltou que não presenciou diretamente o momento em que o cão teria sido agredido e, por isso, não pôde afirmar com certeza que os adolescentes foram os autores das agressões. “Se eu tivesse visto batendo no cachorro, eu diria que eram eles”, disse o porteiro em depoimento oficial.
Investigação e buscas policiais
A Polícia Civil de Santa Catarina tem investigado o caso como crime de maus-tratos a animal, com base em imagens de câmeras de segurança, laudos veterinários que apontaram ferimentos contundentes em Orelha e relatos de testemunhas. Segundo a investigação, quatro adolescentes são suspeitos de envolvimento nas agressões que deixaram o cão gravemente ferido, levando à sua morte após eutanásia em uma clínica veterinária.
A investigação também apurou conflitos entre os adolescentes e o porteiro, que teriam sido registrados em vídeos e áudios analisados pela polícia. Em resposta a ameaças e tentativas de coação de testemunhas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos endereços dos jovens e de seus responsáveis.
Estado do cão e repercussão
Orelha, que vivia há cerca de 10 anos como um cão comunitário querido pelos moradores da Praia Brava, foi encontrado com severas lesões na cabeça e em outras partes do corpo, compatíveis com agressões por objeto contundente — como um pedaço de pau ou garrafa — segundo laudo divulgado pela polícia.
O caso ganhou grande repercussão nacional e levou a protestos em diversas cidades brasileiras pedindo “Justiça por Orelha”, movimentos de ativistas pelos direitos dos animais e debates sobre a proteção legal contra maus-tratos.
A investigação segue em andamento sob sigilo, e a Polícia Civil continua a coletar depoimentos e provas para esclarecer de forma detalhada as circunstâncias que levaram ao ataque e à morte do cão comunitário.



