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Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil pode aumentar consumo no Pará, avalia Dieese

Estudo aponta que mudança amplia renda disponível de trabalhadores e tende a impactar gastos básicos no estado

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários mensais de até R$ 5 mil deve aumentar a renda disponível de trabalhadores no Pará e refletir diretamente no consumo, principalmente em despesas essenciais. A avaliação é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA).

De acordo com o órgão, a medida atinge principalmente trabalhadores assalariados de baixa e média renda, que passaram a ser tributados ao longo dos anos devido à defasagem da tabela do Imposto de Renda. Com a atualização da faixa de isenção, parte desses contribuintes deixa de pagar o imposto, o que amplia o orçamento mensal das famílias.

Segundo o supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, a mudança corrige um problema histórico do sistema tributário brasileiro. Ele explica que a ampliação da isenção reduz a carga sobre os salários e prevê a compensação da arrecadação por meio da tributação de rendas mais elevadas.

Com mais recursos disponíveis, a tendência é que o valor seja direcionado ao consumo básico. O Dieese aponta que, no Pará, os principais impactos devem ocorrer em gastos com alimentação, transporte, moradia, energia elétrica e saúde. O órgão também avalia que a medida pode contribuir para a redução do endividamento das famílias, especialmente no pagamento de dívidas de curto prazo, como cartão de crédito e empréstimos pessoais.

Em relação à inflação, o Dieese/PA não identifica risco relevante no curto prazo. A análise indica que o aumento do consumo representa uma recomposição do poder de compra, e não um crescimento abrupto da demanda. Pressões pontuais podem ocorrer em setores específicos, mas fatores estruturais seguem sendo determinantes para o comportamento dos preços.

O estudo também aponta que a ampliação da isenção do Imposto de Renda não deve, isoladamente, influenciar decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros. Segundo o Dieese, a política monetária continua sendo orientada pela inflação, pelas expectativas do mercado e pelo cenário fiscal.

O impacto fiscal da medida é estimado entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões por ano. Para o Dieese/PA, o custo pode ser absorvido caso sejam implementados os mecanismos de compensação anunciados pelo governo federal, como a tributação mínima sobre altas rendas e a taxação de dividendos, prática adotada em outros países.

Com informações de Oliberal.com

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