Internauta quer que seja cobrada entrada no Mercado de São Brás porque não aguenta mais o espaço lotado e gera discussões nas redes sociais
Postagem no X gerou polêmica ao sugerir cobrança de ingresso em espaço público. Especialistas e usuários destacam a importância do direito à cidade e a necessidade de mais áreas de convivência gratuitas em Belém.

Uma postagem no X (antigo Twitter) movimentou as redes sociais nesta segunda-feira (27) ao sugerir que fosse cobrada entrada no Mercado de São Brás, um dos principais espaços públicos de Belém. O autor do comentário, identificado como Augusto Maia, afirmou estar incomodado com a superlotação do local:
“Tá na hora de começar a cobrar entrada no Mercado de São Brás, tá horrível ir lá lotado desse jeito.”

O comentário rapidamente provocou reações contrárias de diversos internautas, que classificaram a ideia como elitista e contrária ao caráter democrático do espaço público.
“O comentário mais idiota e elitista que eu vi hoje, foi cobrar a entrada no mercado de São Brás, sendo que é um local público”, escreveu um usuário.
“Imagina ter que pagar para entrar em um espaço público só porque alguém tem ansiedade social”, acrescentou outro.
Vários internautas aproveitaram a discussão para refletir sobre a falta de espaços públicos de convivência em Belém. Alguns destacaram que a solução não é restringir o acesso, mas investir em mais áreas públicas gratuitas, que permitam socialização e lazer para toda a população.
“Estar tão lotado é a prova de que estamos falhando em oferecer espaços de socialização. Ao invés de cobrar entrada, tem de cobrar o poder público para criar mais locais acessíveis”, comentou um usuário.
Direito à cidade e importância do Mercado de São Brás
A polêmica sobre cobrança de ingresso reacende o debate sobre o direito à cidade, conceito que defende o acesso democrático de todos aos bens, serviços e espaços urbanos. Especialistas afirmam que o Mercado de São Brás é um exemplo de espaço público democrático, onde convivência social, cultura e economia se encontram.
O mercado, além de ser um polo gastronômico e turístico, representa um ponto de encontro popular, permitindo que diferentes classes sociais usufruam do espaço com igualdade. Restringir o acesso ao local seria, na visão de urbanistas, negar o direito à cidade e o acesso a áreas coletivas de uso social.
Internautas também apontaram que a futura inauguração do Parque da Cidade, com polo gastronômico e lazer, poderá aliviar a lotação do Mercado de São Brás, oferecendo alternativas de convivência sem que seja necessário limitar o acesso a espaços públicos já consolidados.
“Antes só tínhamos a Estação das Docas — um espaço caríssimo. O São Brás trouxe de volta o sentimento de pertencimento. Cobrar entrada seria voltar atrás”, destacou um comentário.



