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Economia da Amazônia Legal depende de agro e mineração e segue vulnerável a crises globais

Estudo revela que a região, que ocupa 60% do território brasileiro, tem baixa diversificação econômica, alta informalidade e aposta limitada em setores sustentáveis.

A Amazônia Legal, com cerca de 5 milhões de km² e 30 milhões de habitantes, representa quase 60% do território brasileiro, mas responde por apenas 9,6% do PIB nacional, segundo o IBGE. Em 2022, a economia da região somou R$ 970 bilhões, participação inferior ao peso populacional (13,7%). O motivo? A forte concentração em atividades primárias, como agropecuária, mineração e exploração madeireira, que tornam a economia dependente dos ciclos internacionais de preços.

“Hoje, a economia da Amazônia Legal está pautada sobre atividades primárias. Isso gera retorno no curto prazo, mas deixa a região vulnerável”, explica Mariana Oliveira, diretora de florestas e uso da terra do WRI Brasil, braço nacional do World Resources Institute. Em momentos de guerra tarifária ou crises globais, o risco de retração é alto.

Além da concentração produtiva, o estudo “Nova Economia da Amazônia”, organizado pelo WRI Brasil com mais de 75 pesquisadores, aponta outros problemas estruturais:

  • Alta dependência do setor público na formação do PIB;
  • Menor qualificação profissional;
  • Salários abaixo da média nacional;
  • Elevada informalidade: mais de 50% dos empregos não têm carteira assinada (a média nacional é 35%);
  • Nas áreas rurais, a informalidade chega a 80%, contra 60% no restante do país.

Agropecuária cresce e domina a economia

A análise da FGV/Ibre sobre os dados do IBGE entre 2002 e 2022 mostra que a principal mudança foi o avanço da agropecuária, que cresceu 5,7% no período. Em alguns Estados, o salto foi muito maior:

  • Mato Grosso: participação da agropecuária no PIB passou de 21,4% (2019) para 37,4% (2022);
  • Tocantins: crescimento de 11,6%;
  • Rondônia: agro passou de 10,8% (2002) para 19,2% (2022).

Mesmo com esse crescimento, dois Estados destoam do padrão:

  • Amazonas, com forte presença industrial pela Zona Franca de Manaus;
  • Pará, impulsionado pela mineração, setor que tem se intensificado.

Em 2022, o PIB do Mato Grosso liderou na região (R$ 255,5 bilhões), seguido pelo Pará (R$ 236,1 bilhões) e pelo Amazonas (R$ 145,1 bilhões).

Bioeconomia como saída

Para o WRI, o caminho está na transição ecológica. A aposta é combinar os setores atuais com novas atividades de bioeconomia, energia limpa, logística sustentável e restauração florestal, o que poderia injetar R$ 40 bilhões anuais no PIB até 2050 e gerar 780 mil empregos adicionais. Mas isso exige R$ 2,56 trilhões em investimentos até 2050.

“O modelo que defendemos não exclui a agropecuária ou a mineração, mas busca qualidade, inovação e sustentabilidade”, diz Mariana Oliveira.

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