O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) reuniu, nesta segunda-feira (1º), pesquisadores do Centro Nacional de Primatas (Cenp), vinculado ao Instituto Evandro Chagas, da Universidade da Califórnia e outros especialistas para discutir o andamento do projeto “Distribuição Geográfica de Cebus kaapori na Mesorregião do Marajó”. A espécie, conhecida como cairara-kaapori, está entre as 25 mais ameaçadas do planeta e integra o Plano Nacional para a Conservação de Primatas Amazônicos.
O encontro contou com a participação do gerente da Região Administrativa do Marajó do Ideflor-Bio, Hugo Dias; do biólogo Matheus Henrique Cosme e dos pesquisadores Klebson Demelas Maurício, Jessica Lynch Ward e Osvaldo Pimentel Marques Neto.
O objetivo do estudo é confirmar a presença do cairara-kaapori no Arquipélago do Marajó, já que, até então, a ocorrência da espécie era registrada apenas no Maranhão e no nordeste do Pará. Relatos de moradores e análises genéticas preliminares de um animal criado como pet no município de Afuá indicam que a espécie pode habitar a região marajoara.
“Compreender as dinâmicas populacionais dos indivíduos na Mesorregião do Marajó é fundamental para subsidiar políticas públicas e ações voltadas à conservação de espécies ameaçadas, como o Cebus kaapori”, destacou o gerente Hugo Dias.
O planejamento inclui expedições de campo em áreas estratégicas, entrevistas em comunidades locais, coleta de material biológico para análises genéticas e sanitárias, além do georreferenciamento dos indivíduos. O estudo também vai investigar agentes infecciosos que possam afetar a saúde dos animais, auxiliando no monitoramento de doenças emergentes.
Se confirmada, a presença do cairara-kaapori no Marajó será um marco para a conservação da biodiversidade e reforçará a importância das unidades de conservação, como a APA do Arquipélago do Marajó e o Parque Estadual do Charapucu.
Os próximos passos incluem a autorização oficial da pesquisa, formalização de acordos de cooperação técnica e definição de estratégias integradas para proteger a fauna amazônica. Os primeiros resultados das expedições devem ser divulgados em 2026, colocando o Marajó no centro das ações de preservação de primatas ameaçados no Brasil.



