O futuro da sede da COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém, entrou em discussão antes mesmo do início das negociações climáticas. Delegações internacionais manifestaram preocupação com os altos valores cobrados por hotéis na capital paraense, o que levou a Organização das Nações Unidas (ONU) a considerar a possibilidade de transferir o evento para outra cidade do Brasil.
A insatisfação foi relatada durante a 62ª reunião dos Órgãos Subsidiários da ONU (SB62), realizada em Bonn, na Alemanha. Representantes de diversos países criticaram a elevação dos preços praticados por hotéis em Belém, com relatos de diárias cinco vezes acima do valor de referência estabelecido pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), fixado em US$ 145.
Segundo informações do governo brasileiro, delegações africanas chegaram a solicitar oficialmente a mudança da sede. Outras representações pedem subsídios que possibilitem a participação de países com menor capacidade financeira, reafirmando o princípio de inclusão da conferência.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, encaminhou pedidos formais de esclarecimento a hotéis e estabelecimentos de hospedagem sobre os preços praticados nos últimos cinco anos, com destaque para o período do Círio de Nazaré. Caso haja indícios de abusos, sanções poderão ser aplicadas após a realização do evento.
O governo federal afirmou que está negociando com o setor hoteleiro para estabelecer valores que não ultrapassem os cobrados durante o Círio. A Secretaria Especial da COP30 continua o mapeamento de cerca de 30 mil vagas em hospedagens em Belém, com o objetivo de garantir acomodações adequadas para os participantes.
A expectativa do governo é que o setor turístico coopere para viabilizar a permanência da conferência na capital paraense. Até agora, o investimento federal para a organização do evento soma R$ 4,5 bilhões.
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