Um ônibus clandestino que saiu de Belém com destino à cidade de Bento Gonçalves (RS) foi interceptado na tarde desta terça-feira (27) no posto da Polícia Militar Rodoviária, em Vila Itoupava, estado de Santa Catarina. A operação contou com apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semudes) e revelou graves irregularidades envolvendo transporte de passageiros entre regiões distantes do país.
O veículo transportava 16 passageiros, entre eles três crianças. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa de transporte não tinha autorização para operar e cobrava entre R$ 600 e R$ 800 por passagem.
Durante a abordagem, um dos passageiros foi preso por estar com um mandado judicial em aberto devido à dívida de pensão alimentícia. Além disso, uma criança de apenas 9 anos, que viajava desacompanhada, foi encaminhada a um abrigo em Blumenau, onde aguarda a chegada de um responsável. A menor tem o pai residente em Belém e a mãe em São José, na Grande Florianópolis.
Após a interceptação, o ônibus foi conduzido até a rodoviária de Blumenau, e os passageiros foram realocados para seguir viagem em um transporte regular, com as passagens custeadas pela própria empresa clandestina. O veículo ilegal foi apreendido e levado ao pátio da ANTT em Itajaí.
“Era meu sonho sair do interior”, diz passageira
O drama vivido pelos passageiros é a realidade de muitas pessoas que, em busca de melhores condições de vida, acabam se submetendo a serviços ilegais e inseguros. Uma passageira de 21 anos, entrevistada pela NDTV Record, revelou que deixou a família em Belém para tentar a vida no sul do país. Ela pagou R$ 600 pela passagem.
“Eu não queria sair de perto da minha mãe, mas foi o jeito. Hoje eu não tenho nada, mas eu vou conseguir o meu sonho”, disse a jovem, que seguirá viagem para trabalhar em uma lanchonete em Bento Gonçalves.
A rotina de fiscalizações em rodovias interestaduais tem revelado o crescimento desse tipo de transporte irregular, especialmente envolvendo migrantes da região Norte. Os riscos incluem não apenas a falta de segurança e documentação do veículo, mas também o transporte de crianças desacompanhadas e pessoas com pendências judiciais.



