Após mais de uma década de obras e quase R$ 1 bilhão investidos, o BRT de Belém continua longe de funcionar como planejado. Diante desse cenário, o Ministério Público do Pará (MPPA) recomendou que a gestão do sistema seja transferida da Prefeitura de Belém para o Governo do Estado, com o objetivo de integrá-lo ao BRT Metropolitano.
A proposta foi feita pelo promotor de justiça Raimundo Moraes, que destaca a necessidade de um sistema unificado de transporte na região metropolitana. “O BRT não é apenas um conjunto de canaletas e estações. É uma lógica de mobilidade que precisa funcionar como um sistema integrado para ser eficaz”, explicou.
Segundo o MP, atualmente há dois sistemas operando separadamente: o BRT Metropolitano, em construção e sob responsabilidade estadual, e o BRT Belém, ainda incompleto e sob gestão municipal. A recomendação visa criar um único sistema, com tarifa integrada, bilhetagem única e controle unificado.
O MPPA também apontou problemas estruturais e operacionais, como a ausência de integração física, estações depredadas — como a de São Brás — e ônibus superlotados. Passageiros relatam longas esperas e a necessidade de fazer baldeações para completar seus trajetos.
A obra do BRT de Belém, inicialmente orçada em R$ 263 milhões e prevista para ser concluída em 18 meses, já ultrapassou os R$ 980 milhões e ainda não opera com a capacidade prometida. A Prefeitura informou que foi notificada e iniciou tratativas com o Governo do Estado para avaliar a recomendação.
Se acatada, a mudança poderá representar um novo rumo para a mobilidade urbana da capital paraense, com foco na eficiência e na qualidade do transporte público.



