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CBF realizou pagamentos mensais para o paraense e ex-presidente Coronel Nunes após fim de mandato

Transferências identificadas como "honorários" somaram mais de R$ 2 milhões entre 2022 e 2024, mesmo sem vínculo formal com a entidade

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) efetuou pagamentos mensais a Antônio Carlos Nunes de Lima, conhecido como Coronel Nunes, após o término de seu mandato como presidente interino da entidade. Documentos indicam que, entre 2022 e 2024, Nunes recebeu valores mensais identificados como “honorários”, totalizando mais de R$ 2 milhões no período.​ A informação foi compartilhada por uma reportagem da Folha de S. Paulo.

Nunes ocupou interinamente a presidência da CBF em duas ocasiões: de dezembro de 2017 a abril de 2019 e de junho a agosto de 2021, conforme previsto no estatuto da entidade, que determina que o vice-presidente mais idoso assuma em casos de vacância. Após agosto de 2021, ele não ocupava mais cargos na confederação.​

A CBF afirmou que todos os pagamentos realizados estão em conformidade com seu estatuto e são submetidos a auditorias internas. No entanto, a entidade não esclareceu os motivos específicos para os pagamentos mensais a Nunes após o fim de seu vínculo formal.​

Em janeiro de 2025, Nunes foi um dos signatários de um acordo que reconheceu a legalidade das assembleias que alteraram o estatuto da CBF, garantindo a eleição de Ednaldo Rodrigues. O acordo também previa o encerramento de litígios que questionavam essas assembleias.​

A situação de saúde de Nunes também foi mencionada em documentos anexados a processos judiciais. Em 2023, um laudo médico descreveu sintomas como tonturas e déficit cognitivo, relacionados a um tumor cerebral diagnosticado em 2018. Essas informações foram utilizadas por Nunes para solicitar isenção de Imposto de Renda sobre sua aposentadoria como policial militar.​

A Câmara dos Deputados recebeu um requerimento para a realização de uma audiência pública com a presença de Ednaldo Rodrigues, Coronel Nunes e outras partes envolvidas, visando esclarecer os pagamentos realizados e a capacidade de Nunes para assinar acordos em nome da CBF.​

A CBF reiterou que todos os pagamentos seguem as normas estatutárias e são auditados regularmente, negando qualquer irregularidade nos repasses efetuados a ex-dirigentes.​

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