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Seca extrema no rio Xingu limita operação de Belo Monte a 2 turbinas: usina enfrenta crise energética

Agência Nacional de Águas reconheceu situação crítica de escassez hídrica no rio Xingu nesta semana. Hidrelétrica de Belo Monte vai funcionar por apenas duas horas e 30 minutos por dia até 30 de novembro, diz ONS.

A seca severa no rio Xingu, reconhecida pela Agência Nacional de Águas (ANA), está impactando fortemente o funcionamento da usina hidrelétrica de Belo Monte, a segunda maior do Brasil. Desde o início de setembro, a usina opera com apenas 2 das suas 18 turbinas por curtos períodos, gerando energia por apenas uma hora no horário de pico. A medida emergencial, autorizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), permanecerá em vigor até 30 de novembro.

A crise hídrica que afeta a bacia do rio Xingu e seus afluentes, como o rio Iriri, é uma das mais graves já registradas na região. De acordo com a ANA, “significativas anomalias negativas de precipitação” foram observadas desde junho de 2023, resultando em uma queda drástica no volume de chuvas. A situação fez com que a usina de Belo Monte, que depende da força das águas para gerar eletricidade, fosse obrigada a reduzir drasticamente sua produção.

Impacto nas operações e na geração de energia

No primeiro semestre de 2024, a usina comercializou em média 4.832 megawatts, mas com a seca, a produção máxima permitida agora é de apenas 1.215 megawatts, o que representa um grande desafio para a matriz energética brasileira. A medida foi tomada para preservar o nível do reservatório de Pimental, um dos componentes do complexo hidrelétrico, e minimizar os impactos socioambientais.

Além de afetar a geração de energia, a seca compromete a navegabilidade do rio Xingu, essencial para o transporte de mercadorias e para a subsistência das comunidades locais.

Comunidades indígenas sofrem com a escassez de água

As comunidades indígenas e ribeirinhas da região têm sentido os efeitos da seca. O cacique Giliarde Juruna, da aldeia Mïratu, relata que a atividade da pesca, fundamental para a sobrevivência da população local, foi gravemente prejudicada. “A água do rio é controlada pela usina como se fosse uma torneira”, lamenta o líder indígena, destacando que o impacto não se limita apenas à seca, mas também à interrupção do ciclo natural de cheias do rio, que impede o acesso a áreas de pesca tradicionalmente usadas pelas comunidades.

Medidas de contingência e o futuro da geração de energia

A Norte Energia, responsável pela operação do complexo de Belo Monte, informou que está atuando de forma coordenada com os ministérios do Meio Ambiente e Minas e Energia para garantir a continuidade da produção energética, utilizando a água acumulada até o limite de segurança.

A seca no Xingu é parte de um cenário mais amplo de escassez hídrica que afeta várias regiões do Brasil. Em 2024, a ANA emitiu quatro declarações de situação crítica para bacias afluentes do rio Amazonas, incluindo os rios Madeira, Purus, Tapajós e Xingu. A crise hídrica é considerada a mais severa da história recente do país, superando a registrada em 2015, e deve continuar a desafiar a gestão de recursos hídricos até o final de 2024.

As autoridades e especialistas alertam que a situação exige atenção contínua para garantir o fornecimento de energia e mitigar os impactos socioambientais nas regiões afetadas.

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