Na manhã desta sexta-feira (30), a Polícia Militar foi mobilizada para apoiar o cumprimento de um mandado de reintegração de posse em um prédio localizado no bairro de Nazaré, em Belém. A ação, iniciada por volta das 5h, teve como objetivo a desocupação de um edifício pertencente à Receita Federal, que vinha sendo habitado por cerca de 80 pessoas, em sua maioria jovens.
O prédio, que estava fechado por tapumes, foi alvo da operação após uma decisão judicial que determinou a reintegração de posse. Um grande efetivo policial, incluindo a Cavalaria, foi deslocado para garantir a segurança e o cumprimento do mandado. No local, a Polícia Militar atuou em apoio a um oficial de Justiça responsável pela execução da ordem judicial.
A Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) informou que a travessa Doutor Moraes foi interditada entre a avenida Nazaré e a Braz de Aguiar devido à operação. A avenida Nazaré, por sua vez, teve o tráfego reduzido a apenas duas faixas, com agentes da Semob presentes para orientar e organizar o trânsito, garantindo a segurança viária durante a ação.
O imóvel em questão foi identificado como o centro da “Ocupação Chico Mendes”, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Segundo uma nota divulgada pelos movimentos sociais envolvidos, mais de 80 famílias foram despejadas sem qualquer tentativa de mediação de conflitos. A nota critica a ação policial, argumentando que o governo federal e estadual deveriam buscar soluções pacíficas e negociadas, especialmente considerando o déficit habitacional no Brasil, que afeta mais de 6 milhões de famílias.
Os movimentos sociais, entre eles o MLB, a Consultoria em Administração Municipal (CONAM) e o Movimento Nacional de Luta Pela Moradia (MNLM), ressaltaram que o prédio da Receita Federal estava abandonado há mais de 11 anos, sem cumprir qualquer função social, e que a ocupação era uma forma de luta organizada por moradia digna. Eles afirmam que tratar a questão como um caso de polícia e mobilizar um aparato militar é inadequado, exigindo que as autoridades estabeleçam um diálogo com as famílias desalojadas para buscar uma solução justa e pacífica.



