A vergonhosa tentativa de Gustavo Sefer de “passar o pano” para o escândalo dos respiradores

Na manhã desta quinta-feira, 11, o deputado estadual Gustavo Sefer (PSD) publicou em suas redes sociais uma lamentável e vergonhosa tentativa de “PASSAR O PANO” para o escândalo dos respiradores. A tentativa infeliz e totalmente desprezível acontece no mesmo dia em que o Pará ultrapassar a triste marca de 4 mil vítimas pelo novo coronavírus.
Abaixo a íntegra do que ele disse que vamos rebater ponto por ponto:

O episódio do escândalo dos respiradores junto com que o deputado Gustavo Sefer disse me lembrou das quatro formas de se gastar dinheiro descritas por Milton Friedman:
1° – Quando gastamos nosso próprio dinheiro com nós mesmos; neste caso, sempre nos esforçando em fazê-lo da melhor forma possível, afinal, é o fruto de nosso trabalho, dos nossos esforços. Por isso procuramos sempre a melhor relação custo-benefício na hora de comprar qualquer produto ou serviço e evitamos desperdício.
2° – Quando gastamos o nosso dinheiro com outra pessoa, comprando um presente para alguém, por exemplo. Neste caso, sempre calculamos o valor do presente em função da importância e do merecimento da pessoa e principalmente se temos ou não condições para isso.
3° – Quando gastamos o dinheiro de outra pessoa conosco. Um bom exemplo é imaginar alguém nos oferecendo um almoço no restaurante que escolhermos. Com toda a certeza, escolheremos um restaurante melhor e mais caro do que aquele que optaríamos num dia qualquer, afinal, não seríamos nós que pagaríamos a conta.
4° – Quando gastamos o dinheiro de uns com outros, tendo como exemplos se alguém nos desse um dinheiro para comprar um presente para uma terceira pessoa ou nos mandasse fazer um serviço utilizando material que não foi comprado por nós. Neste caso, as considerações que teríamos na 1° e 2° formas desapareceriam, afinal, não haveria razão para nos preocuparmos com o bom uso desse dinheiro.
Essa análise de Friedman explica grande parte da ineficiência estatal. A quarta forma é como o governo gasta nosso dinheiro.
Tendo o que Milton Friedman disse, agora fica fácil desmantelar o argumento de Gustavo Sefer com apoio do inquérito da Política Federal.
Há indícios claros que Helder e o dono da SKN Brasil eram “amigos” e, como revelou a Polícia Federal, a negociação foi feita por WhatsApp. Além disso, Helder foi avisado pelo engenheiro especialista em engenharia biomédica da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Celso Mansueto Vaz, sobre as limitações dos respiradores.
Quem compraria um equipamento sabendo que ele não serviria para salvar seu pai?
Além disso, pelo amor que você tem pelo seu pai, você escolheria uma empresa especializada e com gabarito no fornecimento do equipamento desejado.Tudo indica que não foi isso que o governo do Pará fez. De acordo com relatório da Polícia Federal, a SKN do Brasil não tinha nenhum histórico de fornecimento de materiais hospitalares.
“Nas bases de dados da Receita Federal foram localizados CNAES [Classificação Nacional de Atividades Econômicas], aparentemente, divergentes da atividade de equipamentos hospitalares. Ressalta-se que não foram localizados outros registros em que a SKN constou como fornecedora de equipamentos para outros entes governamentais”, conclui o relatório.
Ora ora ora, é uma situação de emergência, seu pai está entre a vida e a morte e você fará de tudo para salvá-lo, inclusive pesquisando o equipamento mais barato, afinal o dinheiro seu não nasce em árvore.
Nessa pesquisa você encontra um equipamento em conta e que vai ser de grande serventia para auxiliar seu pai na luta pela vida. Você dispensaria esse equipamento mais em conta por outro mais caro a ser comprado numa empresa sem experiência e mesmo com um um amigo lhe alertando que ele não serve?
Se você faz isso, o amor pelo seu pai não existe.
De acordo com a Polícia Federal, na cotação de preços realizada pela Secretaria de Saúde do Pará revela que foram dispensados orçamentos mais baratos de demais empresas sobre respirados do mesmo modelo, o ventilador pulmonar microprocessado.
O Pará pagou R$ 126 mil orçado por cada respirador, o que deu o total de R$ 50,4 milhões.
“No caso concreto em análise, aquisição de ventiladores pulmonares pelo governo do Pará, verifica-se uma variação positiva de 80% no preço de aquisição, se comparado ao maior valor contratado, dentro do escopo da pesquisa realizada durante e elaboração desta Informação Técnica”, atestou o documento.
Outro detalhe que chama atenção. Os autos mostram que a empresa emitiu nota fiscal para respiradores a fim de receber R$ 25,2 milhões adiantados um dia antes de a Secretaria de Saúde formalizar o processo de dispensa de licitação.
A empresa, de acordo com os documentos, emitiu a nota em 25 de março, mas o governo paraense abriu o processo de dispensa somente no dia seguinte.
Em apenas 72 horas, a empresa recebeu o valor em sua conta corrente, revela o extrato, datado de 27 de março, por volta das 11h.
Gustavo Sefer, você pode justificar pela urgência, mas mesmo sabendo disso tudo que foi elencado, colocaria a vida do seu pai em risco continuando essa operação?
Tudo bem. Você pode ainda justificar que tudo ainda está em investigação. É verdade. Então, por que não ponderou as diversas possibilidades e não apenas essa tentativa medonha de defender o governador?
Não é essa a postura que um deputado que, entre outras atribuições, tem o dever de fiscalizar o executivo e cobrar o bom uso do dinheiro público.




No contexto em que o deputado usa o verbo “concertar”, ele o usa com propriedade. Eu explico: ao usar o termo “concerto”, por duas vezes, ele explica a sinfonia orquestrada por essa gangue que tomou de assalto o erário em detrimento do sofrimento da sociedade pelo Covid-19! Resumindo: além de analfabeto funcional, esse pulha é de uma cretinice sem tamanho!