Estudantes de um colégio do Rio de Janeiro arrecadaram R$ 29 mil em recursos para a colocação de painéis solares em uma escola do Pará. A ação solidária permitiu a instalação de um sistema fotovoltaico que beneficiou cerca de 140 pessoas, com idade entre 5 e 18 anos, do povo ribeirinho. Cerca de 20 estudantes participaram da ação.
Juliana Lima, assessora de Projetos Sociais e Voluntariado do Colégio Santo Inácio, explicou que a ideia de ajudar a Escola Municipal Nossa Senhora de Fátima, da comunidade Anã, no Pará, veio justamente da dificuldade que eles estavam vivendo há mais de um ano por não terem acesso à energia elétrica.
Por causa disso, conta ela, não havia uso de geladeira, impressora e coisas do dia a dia de uma escola. Tudo isso estava indisponível desde a queima do último gerador. Como essa alternativa das placas solares se apresentou como uma opção viável para muitas instituições e residências na região ribeirinha do Pará, a escola percebeu a oportunidade e apresentou a proposta do projeto de arrecadação para a instalação dos painéis solares.
“Os estudantes ficaram sabendo da dificuldade da escola por meio dos educadores da formação cristã. Tínhamos um colega que trabalhava com a gente no colégio, e a diretora da escola, em uma conversa com ele, expôs a situação toda. A partir disso, nós abraçamos a causa e apresentamos uma proposta. Tivemos que articular com uma empresa de Santarém, que está acostumada com essa infraestrutura em comunidades ribeirinhas, e combinamos para que chegássemos juntos ao local”, disse Juliana.
Todas as compras necessárias foram combinadas com antecedência para que, quando a equipe chegasse à comunidade, todos os materiais para a obra estivessem lá.
“Nossos alunos são uma escola tradicional da zona sul do Rio de Janeiro, acostumados a terem uma ótima estrutura. Então, ao chegarem a uma comunidade com recursos muito limitados, o choque foi grande. Eles assistiram a aulas sem mal conseguir enxergar nada, por conta da falta de luz, viram salas de aula feitas de piaçava, mas também enxergaram que é possível fazer muito pela educação mesmo com poucos recursos”, destacou.
Juliana considerou o impacto vivido pelos estudantes positivo. Ela conta que os jovens viram concretamente o que pode ser feito quando muitas pessoas se unem em torno de uma causa comum. Todos voltaram para casa muito tocados pela experiência, disse a assessoras.
“Novas ações solidárias estão sendo planejadas constantemente. É algo que faz parte da pedagogia marciana, que faz parte dessa espiritualidade que sempre impulsiona o outro a ir além, a doar-se um pouco mais”.
Nathália Costa, aluna da 1ª série do Ensino Médio, explicou que, para conseguir arrecadar o dinheiro, o grupo criou diversos lanches solidários feitos na própria escola, com alunos de vários anos.
“A gente vendeu pipoca e brigadeiro em sessão de cinema, mas como o valor era alto e a gente tinha pouco tempo para arrecadação. O Santo Inácio completou com o que faltava, e agora, nesse pós-viagem, estamos elaborando novos projetos para adquirir todos os recursos para recuperar a diferença que o colégio anteriormente custeou”, disse.
“A experiência de estar na Amazônia, uma das florestas de maior biodiversidade do mundo, e poder ter contato diário com a natureza, é transformador. Foi extremamente tocante ver o quão felizes todos os moradores da comunidade de Anã são. E faz muito a gente pensar nas nossas próprias realidades, nas nossas trocas e no nosso dia a dia, que normalmente é tão corrido. O tempo lá corre diferente. A troca de olhares é muito forte, muito presente. E as crianças, depois das aulas, tomam banho de rio, pulam do trapiche… Mexeu muito com a gente”.



