Trabalhadores paraenses sofrem com suspensão de eventos durante a pandemia

A pandemia do novo coronavírus afetou diretamente a vida dos brasileiros. O registro mais recente do Ministério da Saúde constatou que mais de sete milhões de habitantes foram infectados no Brasil. Além das vidas perdidas – mais de 180 milhões, que são a pior de todas as perdas sem dúvidas, o número de desempregos bateu recorde no País por conta da covid-19.
Algumas estratégias foram tomadas pelos governos para tentar reduzir esse prejuízo, então, o chamado “novo normal” permitiu, por exemplo, a reabertura de lojas, shoppings, academias e cursos profissionalizantes, com algumas restrições, entretanto, desde o começo do surto da doença, alguns setores convivem com a instabilidade de emprego, entre eles, as pessoas que trabalham em shows e eventos.
O garçom Eraldo Oliveira, que há 18 anos trabalha no ramo, contou que no começo da pandemia, ele e seus companheiros de trabalho dependeram de ajuda dos amigos, familiares, empresários, que arrecadaram cestas básicas e realizaram outras mobilizações para ajudar a categoria a enfrentar o período de crise. Durante a flexibilização nos bares e restaurantes, alguns desses trabalhadores conseguiram voltar para os seus empregos, no entanto, outros não, contou Oliveira. A instabilidade de emprego fez com que esses profissionais recorressem às oportunidades que surgiam em eventos clandestinos, ao mesmo tempo em que temiam pela própria saúde e de seus familiares.
“Se não fosse a ajuda das pessoas boas, não saberia o que seria da vida dos nossos companheiros. Desde o começo da pandemia ficamos dependendo de doações, depois eu ainda consegui ir para o ramo de entregas, porém, outros amigos não tiveram essa chance. Cheguei a trabalhar nessas festas que eram realizadas de forma ilegal, as oportunidades eram poucas, e eu ainda temia pela vida da minha mãe, pois eu corri o risco ser contaminado e passar a doença para ela”, desabafou Eraldo.
As suspensões de festas e eventos ao longo da pandemia também afetaram a vida do segurança Ronilson de Sousa Nazaré, que há cinco anos trabalha na profissão. Ele contou que nunca havia passado por uma situação semelhante a essa provocada pela pandemia. O trabalhador disse que, somente para este mês, havia garantido três eventos e um quarto estava em negociação para o município de Salinópolis, nordeste paraense, no entanto, com a nova suspensão de festas na capital e interior, ele se viu novamente prejudicado e sem previsão de trabalho.
“Algo precisa ser feito pois o nosso ramo depende disso. As autoridades precisam entendem que principalmente quem trabalha no interior depende das festividades realizadas durante as altas estações, férias de julho e réveillon. Da forma que está ficamos prejudicados, eu mesmo não tenho mais nada para o final do mês, já que as atividades onde eu iria trabalhar foram canceladas”, confidenciou o segurança.
Fonte Roma News



