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‘Largando tudo’, diz amapaense antes de viajar para o Pará em busca de energia e conforto

O Amapá chegou nesta sexta-feira (6) ao 4º dia sem energia elétrica em 13 dos 16 municípios. Filas para compra de gelo e combustíveis são rotina para a população de Macapá. Alimentos são perdidos pela falta de conservação e moradores estão até mesmo comprando passagens para ir embora da cidade, de navio ou avião. O Amapá não tem nenhuma ligação terrestre com outros estados do país.

Na noite de quinta-feira (5), a prefeitura da capital decretou calamidade pública. Nesta manhã foi a vez do governador do Waldez Góes (PDT) assinar o documento que estabelece situação de emergência.

A técnica em enfermagem Ângela Farias, de 49 anos, não aguentou o apagão e resolveu buscar refúgio no município de Afuá, no Pará, a cerca de 4 horas de viagem pelo Rio Amazonas.

Na manhã desta sexta-feira (6), ela era umas das pessoas que foram até o píer do Santa Inês, na orla, em busca de passagens para família, composta pelo marido, três filhos e uma sobrinha.

“A gente está sem água, a comida da gente estragou tudo, a gente não dorme à noite toda. Agora estamos largando tudo para ir embora porque já estamos doente nessa situação. Isso foi uma irresponsabilidade, porque era pra ter uma máquina de reposição”, disse.

Principais impactos do apagão para a população:

  • Falta de energia em 13 dos 16 municípios, incluindo todos da região metropolitana. Em Macapá, só há energia em serviços essenciais, como hospitais
  • Falta água encanada, água mineral e gelo
  • Internet e serviços de telefonia quase não funcionam
  • A maioria dos postos de gasolina não tem gerador e não consegue operar
  • Caixas eletrônicos e máquinas de cartão não funcionam, então as pessoas não conseguem fazer compras

Na busca por itens de primeira necessidade, a autônoma Marinilda Azevedo, de 41 anos, passou quase 4 horas na fila para comprar um balde de gelo. A preocupação dela é não ter como trabalhar e garantir uma renda se o apagão permanecer por muito tempo.

“Tô aqui desde às 7h esperando pegar gelo. Isso não é uma vida digna para o amapaense. Enquanto a gente está sem energia, sem água sem nada, como é que a gente vai se alimentar daqui uns dias se essa energia não voltar e a gente não trabalhar?”, desabafou.

O feirante Rubens Santos, de 31 anos, teve que doar cerca de 50 quilos de peixes a moradores de um conjunto habitacional. Sem gelo para refrigerar o alimento, estima prejuízo de R$ 1 mil por dia.

“O que sobrou estou vendendo barato, a R$ 10, para ver se vende logo e não estraga, porque cliente hoje vai ser muito difícil. Tive que doar uns 50 quilos e ainda estou doando porque se não vai ser tudo estragado”, relatou.

Fonte G1

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