OPINIÃO

Lúcio Flávio Pinto:”Foi um evidente ato político a rejeição das contas de 2018 do ex-governador Simão Jatene”

Por Lúcio Flávio Pinto/Jornal O Pessoal

Foi um evidente ato político a rejeição das contas de 2018 do ex-governador Simão Jatene. Nenhum local é mais apropriado para esse tipo de jogo do que a sede do poder legislativo. Era previsível, por todos os envolvidos, que iria haver medição de forças entre os tucanos e os Barbalho.

Mas foi uma derrota acachapante (34 a 6, com uma única ausência) para o político que por mais tempo (2 anos) exerceu o governo do Estado, eleito pro voto popular, integrando partido que se manteve no poder por 20 anos. Dos seis deputados que ficaram ao lado de Jatene, apenas quatro confirmaram o caráter de oposição da sua manifestação, declarando o voto. Dois deles preferiram o anonimato.

Como a votação do parecer da comissão técnica da assembleia legislativa foi unânime, se chocando com a unanimidade da aprovação pelo Tribunal de Contas, que é órgão auxiliar do parlamento para essa questão, o mínimo que a causa pública podia esperar dos deputados seria chamar à ordem os representantes do TCE para um confronto entre os dois pareceres, para salvaguarda da integridade geral. Alguém subverteu os números ou foi tendencioso na sua interpretação, aproveitando-se da complicaçaõ da contabilidade pública.

A corte de contas apontou sete irregularidades na prestação de contas de Jatene. Considerou-as, entretanto, passíveis de correção, sem comprometer a aprovação, guiada provavelmente por diretriz meramente contábil. Já na apreciação das contas do primeiro ano do governo de Helder Barbalho, do MDB, as falhas somaram 45 e ainda assim elas foram aprovadas à unanimidade também.

Provavelmente o governador não terá dificuldade em fazê-las aprovar no legislativo, considerada a sua força política atual, demonstrada ontem. Mas, como gostava de ressaltar o “filósofo” Armando Falcão, o falcão, “o futuro a Deus pertence”. Mudando a gangorra do poder, muda a nuvem e, acompanhando-a, muda a conjuntura e mudam os políticos. E assim a Lusitana roda e o Pará estaciona na quadratura do círculo, como sempre.

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